sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Ao amigo Tarcísio
Carnaval.
Carnaval me lembra Seu Tarcísio, um amigo velhinho que eu tive quando freqüentava a Ilha de São João, próximo a Simões Filho, em Salvador.
Eu não tinha mais do que 13 anos e meu amigo já passava dos 60 facilmente. E nesta idade, todos sabem, todo velhinho tem algum problema de saúde. O do meu amigo era Diabete.
A vida era boa e eu adorava ir pra Ilha sempre que podia, e sempre que podíamos era no carnaval. A casa era tão acolhedora, que até uma árvore tentou nascer bem no meio da sala do casal Tarcísio e Mercedes.
Meu amigo conselheiro era, quando mais jovem, compositor de samba em Brasília. Usava as histórias, as fotos, as composições dele, para tentar me convencer de que o desfile das escolas de samba da capital Federal, eram tão bons quanto os do Rio.
Eu, com meus olhos ávidos por novidade, ficava olhando aquilo tudo com muita atenção pra aprender a cantar como o Puxador, pra poder entrar no ritmo do Tamborim, da Cuica - que adoro até hoje -, do apito de marcação, e pra poder também, sentir a alegria do ritmo do samba correr pelo meu corpo e lavar a minha alma.
Acho que já se passaram 12 anos que tudo isso aconteceu, fiquei sabendo que a diabete venceu meu amigo compositor, velho malandro de Brasília, que me ensinou a gostar de samba, que morava na saudosa Ilha de São João, e que agora mora lá no céu.
Carnaval me lembra Seu Tarcísio, um amigo velhinho que eu tive quando freqüentava a Ilha de São João, próximo a Simões Filho, em Salvador.
Eu não tinha mais do que 13 anos e meu amigo já passava dos 60 facilmente. E nesta idade, todos sabem, todo velhinho tem algum problema de saúde. O do meu amigo era Diabete.
A vida era boa e eu adorava ir pra Ilha sempre que podia, e sempre que podíamos era no carnaval. A casa era tão acolhedora, que até uma árvore tentou nascer bem no meio da sala do casal Tarcísio e Mercedes.
Meu amigo conselheiro era, quando mais jovem, compositor de samba em Brasília. Usava as histórias, as fotos, as composições dele, para tentar me convencer de que o desfile das escolas de samba da capital Federal, eram tão bons quanto os do Rio.
Eu, com meus olhos ávidos por novidade, ficava olhando aquilo tudo com muita atenção pra aprender a cantar como o Puxador, pra poder entrar no ritmo do Tamborim, da Cuica - que adoro até hoje -, do apito de marcação, e pra poder também, sentir a alegria do ritmo do samba correr pelo meu corpo e lavar a minha alma.
Acho que já se passaram 12 anos que tudo isso aconteceu, fiquei sabendo que a diabete venceu meu amigo compositor, velho malandro de Brasília, que me ensinou a gostar de samba, que morava na saudosa Ilha de São João, e que agora mora lá no céu.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Porquê o nome Sopa de Papelão
Quando tinha mais ou menos 10 anos vi uma matéria na TV. A repórter entrou numa favela das mais miseráveis, para mostrar a vida de um casal, cujos dois filhos, eram alimentados com uma sopa. A sopa era feita dos papelões catados pelo pai. Nunca mais esqueci. Por isso o nome do Blog.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Fernando Henrique nunca esquecerá esta noite
O Fluminense ressurgiu das cinzas, ontem em Campos
O Flu vencia por 1x0, gol de Thiago Neves. Mas, aos 37 do segundo tempo, FH, num lance infantil, deu um soco em Klesa, atacante do Americano. pênalti convertido, 1x1.
Com o resultado o tricolor dava, precocemente, adeus a qualquer chance de classificação às semifinais na Taça GB.
Mas, aos 48 minutos FH, no desespero, foi pra àrea campista e sofreu pênalti.
Conca bateu e, na raça, trouxe a esperança devolta.
O Flu vencia por 1x0, gol de Thiago Neves. Mas, aos 37 do segundo tempo, FH, num lance infantil, deu um soco em Klesa, atacante do Americano. pênalti convertido, 1x1.
Com o resultado o tricolor dava, precocemente, adeus a qualquer chance de classificação às semifinais na Taça GB.
Mas, aos 48 minutos FH, no desespero, foi pra àrea campista e sofreu pênalti.
Conca bateu e, na raça, trouxe a esperança devolta.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Somália, o inferno

Localizada na costa nordeste do continente africano, a Somália é uma nação em frangalhos.
Durante vinte anos foi palco de uma guerra civil, e apesar do cessar-fogo, a violência atormenta a capital, Mogadíscio.
O controle do país é disputado por grupos para-militares, e apesar do caos, uma linha de trabalho em especial -a pirataria-vai de vento em polpa.
De 2007 pra cá, quase um milhão de pessoas teve de fugir do país.
Um território totalmente destruído e uma população desamparada, onde não existe um governo legal. O último data de 1991.
A gravíssima crise que atinge a Somália, tem como alguns dos agravantes, a seca, a interminável guerra, os altíssimos preços dos alimentos, a pobreza, falta de infra-estrutura e a carência de recursos naturais.
Tudo isso torna a Somália um verdadeiro inferno terrestre, onde o simples fato de viver já é uma aventura.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Música de hoje
Canção de Julinho
Composição própria.
Agora eu já sei, que voltando ao normal
O ano passou, comprei um quintal
O mundo mudou, mudou para o mal
O mudo falou, que era normal
O quintal cresceu, cresceu o quintal
Chamei meu amor, botei um farol
Agora voltou, não era pra já
De ir esperar, o bicho cantar
Agora voltou
Ao normal...
Composição própria.
Agora eu já sei, que voltando ao normal
O ano passou, comprei um quintal
O mundo mudou, mudou para o mal
O mudo falou, que era normal
O quintal cresceu, cresceu o quintal
Chamei meu amor, botei um farol
Agora voltou, não era pra já
De ir esperar, o bicho cantar
Agora voltou
Ao normal...
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Já vai tarde

Foram oito anos de sucessivos erros, muito deles primários, onde foi posta em jogo a confiança do povo americano e as vidas de milhares de Iraquianos, Afegãos e Palestinos.
Bush entra para o rol dos piores presidentes que os EUA já teve. Eu, sinceramente, acho que pior que ele não teve.
O atrapalhado, mentiroso e incompetente Bush, já vai tarde...
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Mais um cessar-fogo em Gaza
“Quem acredita em paz nessa região, pode estar muito enganado”.
As tropas Israelenses começaram hoje (18) a se retirar parcialmente do território Palestino.
Ao longo de 22 dias, o conflito causou a morte de mais de 1.300 pessoas, além de outros milhares de feridos.
Fontes médicas locais informaram que do lado Palestino, ao menos 1.300 pessoas morreram, Outras 5.100 ficaram feridas. Do lado Israelense, a baixa foi de 14 pessoas, a maior parte soldados.
As tropas Israelenses começaram hoje (18) a se retirar parcialmente do território Palestino.
Ao longo de 22 dias, o conflito causou a morte de mais de 1.300 pessoas, além de outros milhares de feridos.
Fontes médicas locais informaram que do lado Palestino, ao menos 1.300 pessoas morreram, Outras 5.100 ficaram feridas. Do lado Israelense, a baixa foi de 14 pessoas, a maior parte soldados.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Ah! Palestina
Lendo a versão brasileira do "Le Monde diplomatique", encontrei esse artigo sincero da escritora Urda Alice Klueger.
O Gueto de Gaza
O que o governo de Israel faz com o Gueto de Gaza sob os olhos de todo o mundo. Ah! Palestina, ah! Palestina, como me dóis cá dentro do meu peito que parece estraçalhado... Ah! Palestina, ah! Palestina, que me resta fazer além de chorar angustiadamente, como estou a fazê-lo agora?
Eu me lembro com intensa nitidez dos profundos olhos aveludados e escuros daqueles homens, daquelas moças. Passei a conhecê-los nos Fóruns Sociais Mundiais de Porto Alegre – costumava chegar quase na hora do começo da passeata de abertura, e quando meus amigos me perguntavam:
— Vamos todos juntos?
Eu não titubeava:
— A gente se encontra depois. Vou junto com quem tiver mais necessidade de apoio. Vou ver se encontro o pessoal do Iraque, ou da Palestina...
Sempre encontrava os da Palestina. Eram homens de profundos olhos inteligentes e sofridos; eram moças com olhos iguais, algumas vestidas como certas figuras bíblicas femininas que pintores do Renascimento pintaram, e sempre com tamanha fé na Justiça! Vinham em poucas pessoas lá do seu mundo distante e garroteado, poderiam sumir no meio de multidões de 100.000 pessoas com as suas humildes "hattas" [1], mas eram eles os mais visíveis, porque as pessoas que se abalavam até os Fóruns Sociais Mundiais bem sabiam da realidade torturante daqueles irmãos. Na primeira vez que desfilei com eles decerto pareci-lhes estranha – não falávamos uma palavra sequer um da língua do outro, mas já lá no final, chegando ao anfiteatro do Pôr-do-Sol (quanta saudade!), alguém serviu de intérprete e contou para um dos palestinos que eu perdera um emprego por defender a Palestina. O homem de profundos olhos de veludo deu uma risada contagiante, e respondeu algo que também me foi traduzido: ele também perdera o emprego por ser palestino! Nosso simpático contato sem palavras começou ali.
Em outras ocasiões em que nos encontramos eles já me recebiam calorosamente com seus olhos que tudo expressavam, e que tinham uma ternura aveludada que poderia adoçar o mundo.
Depois que os Fóruns Sociais Mundiais saíram de Porto Alegre e foram para outros países, passamos a ter uma palavra de contato: quando nos encontrávamos, sempre primeiro na passeata de abertura, apontávamos uns para os outros e dizíamos: "Porto Alegre!", palavra chave que, aliada aos olhos profundos e misteriosos deles, significava todo um caloroso discurso. E nos abraçávamos como irmãos que somos (ou eram? Estarão vivos?), e na passeata de Caracas/Venezuela, um dos homens mais velhos tirou da sua mochila uma belíssima bandeira da Palestina em seda verde, vermelha branca e preta, e me deu. Sorrimos um para o outro e dissemos a palavra mágica:
— Porto Alegre! - e eu guardo com imenso carinho aquela bandeira de seda assim como a recebi, talvez ainda trazendo entretecido nos seus fios finos esporos ou pólen de plantas ou de outras formas de vida daquela distante Palestina onde provavelmente não poderei ir no decorrer da minha vida, pois envelheço, e o gueto que é a Faixa de Gaza está cada vez mais inacessível, e a mágoa da minha desesperança me faz pensar muito na solução final [2] dada ao Gueto de Varsóvia... [3]
Vejo as notícias e as fotos na Internet, e sei de tantas coisas, faz tanto tempo! Sei como os meus irmãos da Palestina tem que suportar o cheiro nauseabundo do lixo em decomposição, pois o Estado de Israel não deixa sequer que de lá se retire o lixo... e sei das crianças palestinas que são feridas por obuses lançados por tanques enquanto brincam, e que morrem de hemorragia nos portões do seu gueto porque insensíveis membros do exército israelense dizem que só dali a tantas horas tal portão poderá ser aberto, para a criança chegar a um hospital... e sei de detalhes que me deixam com vergonha por ser chamada de humana, pois um exército a serviço de também ditos humanos judeus faz coisas que quase não são críveis, como derrubar um edifício inteirinho para matar um único homem a quem perseguem, e que sabem que está escondido no poço do elevador... ou esse mesmo exército lançar um míssel sobre uma inocente festa de casamento, ou sobre uma formatura de guardas de trânsito...
Mil páginas seriam poucas para enumerar todos os horrores que sei, que tenho lido, tenho sabido, tenho aprendido sobre o que o governo de Israel faz com o Gueto de Gaza sob os olhos de todo o mundo, como se ninguém se importasse. O espaço, aqui, não permite entrar nas causas históricas dos acontecimentos, mas é bom aprender a respeito, para se entender que Israel não tem razão, que as barbaridades que vêm desde a década de 1940 são das mais abjetas da humanidade. O que me horroriza ainda mais, neste momento, são as fotos que não param de chegar de Gaza, de crianças carregadas nos braços dos pais, sem os pés e parte das pernas, com tendões e nervos que sobraram retorcidos como se fossem molas de metal, ou das fileiras de meninos e meninas nos seus trajes de frio, mortinhos, prontos para o funeral, e das caras sem consolo dos pais que ali estão, ou daquele menininho morto e ensangüentado, que o pai carrega no colo embrulhado na bandeira, bandeira igual àquela que tenho, menininho que nunca terá nos olhos aquela força forte como aço e suave como veludo e que nunca entenderá a palavra "Porto Alegre" – de novo digo que mil páginas seriam poucas para contar sobre cada foto, cada fato, cada texto e cada análise que tenho lido – um último fio que me une à esperança é a existência daquela gente de Israel que se nega ao crime, daqueles soldados israelenses que preferem a prisão do que ir assassinar seus irmãos já quase mortos de fome, frio e sede no gueto vizinho – pois Gaza hoje tem 1.500.000 habitantes trancafiados sem recursos numa área de 350 quilômetros quadrados, o que é mais ou menos a metade do tamanho desta minha pequena cidade de Blumenau...
Não há como dizer "enfim", para um texto como este. A dor e a mágoa por se saber que tais injustiças continuam acontecendo diante do mundo é uma coisa que poderia me matar de angústia, e então tenho que reagir escrevendo, que é o meu jeito de ser – mas o que escrever, se todos os grandes escritores, todos os grandes pensadores deste mundo já escreveram tudo o que eu gostaria de escrever, pois não é só a mim que a indignação arrasa – e por todos os lados as populações estão saindo às ruas para protestar contra este massacre inumano? Então achei que poderia escrever sobre os meus palestinos, aqueles que sabem a palavra "Porto Alegre", e que tem aqueles olhos profundamente cheios de significado, força e doçura. Então penso se estarão vivos, se aquelas lindas moças não serão hoje cadáveres só com meia cabeça, ou se os netinhos daqueles homens não estejam, talvez, com ferimentos como se fossem couve-flores de sangue nas suas barriguinhas de meninos mortos, ou se meus próprios amigos já não terão vidrados e frios os seus olhos que eram cheios de doçura e de força...
Ah! Palestina, ah! Palestina, como me dóis cá dentro do meu peito que parece estraçalhado... Ah! Palestina, ah! Palestina, que me resta fazer além de chorar angustiadamente, como estou a fazê-lo agora?
O Gueto de Gaza
O que o governo de Israel faz com o Gueto de Gaza sob os olhos de todo o mundo. Ah! Palestina, ah! Palestina, como me dóis cá dentro do meu peito que parece estraçalhado... Ah! Palestina, ah! Palestina, que me resta fazer além de chorar angustiadamente, como estou a fazê-lo agora?
Eu me lembro com intensa nitidez dos profundos olhos aveludados e escuros daqueles homens, daquelas moças. Passei a conhecê-los nos Fóruns Sociais Mundiais de Porto Alegre – costumava chegar quase na hora do começo da passeata de abertura, e quando meus amigos me perguntavam:
— Vamos todos juntos?
Eu não titubeava:
— A gente se encontra depois. Vou junto com quem tiver mais necessidade de apoio. Vou ver se encontro o pessoal do Iraque, ou da Palestina...
Sempre encontrava os da Palestina. Eram homens de profundos olhos inteligentes e sofridos; eram moças com olhos iguais, algumas vestidas como certas figuras bíblicas femininas que pintores do Renascimento pintaram, e sempre com tamanha fé na Justiça! Vinham em poucas pessoas lá do seu mundo distante e garroteado, poderiam sumir no meio de multidões de 100.000 pessoas com as suas humildes "hattas" [1], mas eram eles os mais visíveis, porque as pessoas que se abalavam até os Fóruns Sociais Mundiais bem sabiam da realidade torturante daqueles irmãos. Na primeira vez que desfilei com eles decerto pareci-lhes estranha – não falávamos uma palavra sequer um da língua do outro, mas já lá no final, chegando ao anfiteatro do Pôr-do-Sol (quanta saudade!), alguém serviu de intérprete e contou para um dos palestinos que eu perdera um emprego por defender a Palestina. O homem de profundos olhos de veludo deu uma risada contagiante, e respondeu algo que também me foi traduzido: ele também perdera o emprego por ser palestino! Nosso simpático contato sem palavras começou ali.
Em outras ocasiões em que nos encontramos eles já me recebiam calorosamente com seus olhos que tudo expressavam, e que tinham uma ternura aveludada que poderia adoçar o mundo.
Depois que os Fóruns Sociais Mundiais saíram de Porto Alegre e foram para outros países, passamos a ter uma palavra de contato: quando nos encontrávamos, sempre primeiro na passeata de abertura, apontávamos uns para os outros e dizíamos: "Porto Alegre!", palavra chave que, aliada aos olhos profundos e misteriosos deles, significava todo um caloroso discurso. E nos abraçávamos como irmãos que somos (ou eram? Estarão vivos?), e na passeata de Caracas/Venezuela, um dos homens mais velhos tirou da sua mochila uma belíssima bandeira da Palestina em seda verde, vermelha branca e preta, e me deu. Sorrimos um para o outro e dissemos a palavra mágica:
— Porto Alegre! - e eu guardo com imenso carinho aquela bandeira de seda assim como a recebi, talvez ainda trazendo entretecido nos seus fios finos esporos ou pólen de plantas ou de outras formas de vida daquela distante Palestina onde provavelmente não poderei ir no decorrer da minha vida, pois envelheço, e o gueto que é a Faixa de Gaza está cada vez mais inacessível, e a mágoa da minha desesperança me faz pensar muito na solução final [2] dada ao Gueto de Varsóvia... [3]
Vejo as notícias e as fotos na Internet, e sei de tantas coisas, faz tanto tempo! Sei como os meus irmãos da Palestina tem que suportar o cheiro nauseabundo do lixo em decomposição, pois o Estado de Israel não deixa sequer que de lá se retire o lixo... e sei das crianças palestinas que são feridas por obuses lançados por tanques enquanto brincam, e que morrem de hemorragia nos portões do seu gueto porque insensíveis membros do exército israelense dizem que só dali a tantas horas tal portão poderá ser aberto, para a criança chegar a um hospital... e sei de detalhes que me deixam com vergonha por ser chamada de humana, pois um exército a serviço de também ditos humanos judeus faz coisas que quase não são críveis, como derrubar um edifício inteirinho para matar um único homem a quem perseguem, e que sabem que está escondido no poço do elevador... ou esse mesmo exército lançar um míssel sobre uma inocente festa de casamento, ou sobre uma formatura de guardas de trânsito...
Mil páginas seriam poucas para enumerar todos os horrores que sei, que tenho lido, tenho sabido, tenho aprendido sobre o que o governo de Israel faz com o Gueto de Gaza sob os olhos de todo o mundo, como se ninguém se importasse. O espaço, aqui, não permite entrar nas causas históricas dos acontecimentos, mas é bom aprender a respeito, para se entender que Israel não tem razão, que as barbaridades que vêm desde a década de 1940 são das mais abjetas da humanidade. O que me horroriza ainda mais, neste momento, são as fotos que não param de chegar de Gaza, de crianças carregadas nos braços dos pais, sem os pés e parte das pernas, com tendões e nervos que sobraram retorcidos como se fossem molas de metal, ou das fileiras de meninos e meninas nos seus trajes de frio, mortinhos, prontos para o funeral, e das caras sem consolo dos pais que ali estão, ou daquele menininho morto e ensangüentado, que o pai carrega no colo embrulhado na bandeira, bandeira igual àquela que tenho, menininho que nunca terá nos olhos aquela força forte como aço e suave como veludo e que nunca entenderá a palavra "Porto Alegre" – de novo digo que mil páginas seriam poucas para contar sobre cada foto, cada fato, cada texto e cada análise que tenho lido – um último fio que me une à esperança é a existência daquela gente de Israel que se nega ao crime, daqueles soldados israelenses que preferem a prisão do que ir assassinar seus irmãos já quase mortos de fome, frio e sede no gueto vizinho – pois Gaza hoje tem 1.500.000 habitantes trancafiados sem recursos numa área de 350 quilômetros quadrados, o que é mais ou menos a metade do tamanho desta minha pequena cidade de Blumenau...
Não há como dizer "enfim", para um texto como este. A dor e a mágoa por se saber que tais injustiças continuam acontecendo diante do mundo é uma coisa que poderia me matar de angústia, e então tenho que reagir escrevendo, que é o meu jeito de ser – mas o que escrever, se todos os grandes escritores, todos os grandes pensadores deste mundo já escreveram tudo o que eu gostaria de escrever, pois não é só a mim que a indignação arrasa – e por todos os lados as populações estão saindo às ruas para protestar contra este massacre inumano? Então achei que poderia escrever sobre os meus palestinos, aqueles que sabem a palavra "Porto Alegre", e que tem aqueles olhos profundamente cheios de significado, força e doçura. Então penso se estarão vivos, se aquelas lindas moças não serão hoje cadáveres só com meia cabeça, ou se os netinhos daqueles homens não estejam, talvez, com ferimentos como se fossem couve-flores de sangue nas suas barriguinhas de meninos mortos, ou se meus próprios amigos já não terão vidrados e frios os seus olhos que eram cheios de doçura e de força...
Ah! Palestina, ah! Palestina, como me dóis cá dentro do meu peito que parece estraçalhado... Ah! Palestina, ah! Palestina, que me resta fazer além de chorar angustiadamente, como estou a fazê-lo agora?
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Gaza

A lógica da guerra tem regras simples.
Se você me ataca, eu ataco de volta. Se quiser me destruir, eu te destruo primeiro. Antes até do que você possa imaginar. E se eu puder, uso dez vezes mais violência. Ou cem. Ou mil. Sei que você vai querer se vingar, mas eu sou mais forte e uso a minha força sem medir proporção, a hora que eu quiser, e ninguém no mundo pode me parar.
Vocês com seus foguetinhos mataram 9 cidadãos Israelenses. Eu, com meu exército que adora atirar e jogar bombas em crianças, já produzi mais de 600 mortos pra vocês enterrarem.
Ass: Israel
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
A guerra que não acaba nunca
Gaza: 2009

Criança palestina chora a morte do irmão, após ataque israelense no norte de Gaza.
Em Gaza, 2009 começou da mesma forma que terminou 2008.
A guerra entre os palestinos do Hamas, e o exército de Israel já deixou 550 mortos e milhares de feridos, no décimo dia da guerra. A grande maioria civis palestinos.

Criança palestina chora a morte do irmão, após ataque israelense no norte de Gaza.
Em Gaza, 2009 começou da mesma forma que terminou 2008.
A guerra entre os palestinos do Hamas, e o exército de Israel já deixou 550 mortos e milhares de feridos, no décimo dia da guerra. A grande maioria civis palestinos.
domingo, 21 de dezembro de 2008
Até que enfim
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
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